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Perfil do professor de Inglês no Brasil

Por Pauline Machado

Dados da língua inglesa no Brasil
De acordo com um levantamento realizado pelo British Council, apenas 5% da população brasileira sabe se comunicar em inglês, o equivalente a 10,5 milhões dos mais de 208 milhões de habitantes. Tais números colocam o Brasil no 41º lugar no ranking de fluência de inglês, atrás de outros países da América Latina, como México, Peru e Equador.

O Brasil também ocupa a 41ª posição, atrás de Lituânia, Vietnã, Costa Rica, Indonésia e Taiwan em outro ranking, dessa vez realizado pela English First, feito com 1 milhão de adultos que não têm a língua inglesa como idioma nativo, em países que falam inglês.

Já o levantamento feito pelo site de empregos vagas.com registrou que dos 37.389 candidatos em 12 estados brasileiros que afirmaram ter inglês avançado ou fluente para escrita e leitura, provou-se, depois de um teste de proficiência, que apenas 36% podem se classificar assim, ou seja, menos de 14 mil candidatos.

Também não fogem aos números os colaboradores de empresas multinacionais no Brasil. 108 mil trabalhadores de 76 países foram entrevistados para fazer um teste de inglês, e os 13 mil brasileiros que o realizaram tiraram uma nota média de 2,95 do total de 10,0, o que colocou o Brasil na 67ª posição, conforme aponta o estudo realizado pela GlobalEnglish.

Neste cenário, sabemos que o gap do inglês influencia negativamente no momento da contratação, na hora de uma promoção e, também, nos ganhos financeiros. De acordo com uma pesquisa da Catho, site de busca de empregos, o domínio de um idioma estrangeiro pode engordar o contracheque em até 52%. “Mas, no Brasil, apenas 5% da população fala uma segunda língua e menos de 3% têm fluência em inglês, enquanto a economia mundial é globalizada, sendo o Brasil um país de empresas multinacionais. “Estamos entrando tardiamente na era do bilinguismo no Brasil”, considera o professor e sócio-proprietário da Merlin English, Renato Baggio.

Perfil dos professores de inglês
No Brasil há dois grupos que caracterizam o perfil do professor de inglês – os de escolas públicas e privadas, e os professores de escolas de inglês.

No primeiro grupo estão os profissionais, na maioria das vezes graduados em Letras, cujo conhecimento na língua inglesa é pouco, apenas o mínimo para cumprir os planos de aula da grade curricular do Ensino Básico e, em sua grande maioria, sabem muito pouco sobre o idioma, principalmente conversação. São, portanto, profissionais que, se quiserem ampliar suas oportunidades no mercado e conquistar melhores salários, precisarão, obrigatoriamente, investir no próprio aprimoramento.

Baggio ressalta que esses profissionais são professores graduados no curso de Letras – português / inglês e que, por esse motivo, tiveram apenas contato com o inglês oferecido pela universidade. “Nenhuma universidade do Brasil forma professores de inglês fluentes na língua inglesa”, afirma.

Esses professores são de ambos os sexos, com idades que variam entre 26 e 40 anos, e que muitas vezes ministram tanto aulas de inglês, quanto aulas de português, optando por se especializarem mais no ensino da língua portuguesa do que no ensino da língua inglesa e, por este motivo, acabam não desenvolvendo suas habilidades de conversação dentro da língua inglesa. “Muitos desses profissionais não tinham recursos suficientes, ou não atentaram para a necessidade de fazer um curso de inglês específico durante a faculdade para que se tornassem fluentes de fato. Alguns ainda recorreram ao curso de letras Português – Inglês como uma mera opção de ingresso à universidade, e não como uma opção realmente vocacional, o hoje, como profissionais, terão que compensar isso com formações complementares, como forma de, minimamente, ministrar um ensino de qualidade aos seus alunos”, observa o professor.

Já o segundo grupo encontra outros tipos de desafios. Apesar de terem tido a oportunidade de se aprimorar na metodologia das escolas em que trabalham, passam a ter isso como limitação, ficando restritos ao nível e também às plataformas em que se especializaram. “Neste segundo grupo, temos professores acomodados. São professores que se especializaram em dar aulas para uma única série e passam anos repetindo a mesma dinâmica de aulas, sem entrar em contato com outros conteúdos da língua inglesa que sejam diferentes daqueles exigidos pela série específica para a qual ministram as aulas”, justifica.

Por isso, ambos os grupos se encontram em um ponto de interseção: nos dois casos, os professores de inglês terão muita dificuldade se forem morar fora do país ou se quiserem se tornar professores de alto nível.

O que falta aos professores
Na opinião de Rentato, o que falta para os professores, para que aumentem o seu nível de inglês, são exigências para que isso aconteça. Ele explica que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) não exigem que o professor capacite o seu aluno a se comunicar em nível mais aprofundado na língua inglesa, fazendo com que o professor se acomode e se restrinja a dar aulas somente de gramática.

Baggio reforça ainda que o Brasil também é um país no qual apenas 1% da população domina a língua inglesa em nível de proficiência, o que faz com que não haja uma necessidade desse domínio por grande parte da população. “Entretanto, está surgindo uma tendência ao bilinguismo no país, fazendo com que os professores atentem para a necessidade de aprimoramento dentro da língua inglesa. Os profissionais bilíngues terão mais oportunidades e melhores salários no âmbito da educação”, garante.

Graduação x preparação para o mercado de trabalho
De acordo com ele, os cursos de graduação não preparam os professores adequadamente para o mercado de trabalho, em especial os professores de língua inglesa. Além desta falha há, segundo o professor, o fato de as universidades não prepararem os professores para o momento da sala de aula. “Para se ter uma ideia, as escolas da Europa utilizam metodologias ativas há muitos anos, sendo que, no Brasil, metodologias ativas estão sendo discutidas e estudadas em cursos de pós-graduação como se fossem algo extremamente inovador, sendo que elas sequer são usadas em sala de aula. O que ocorre no Brasil é que os professores aprendem a dar aula de inglês por si próprios, e muitas vezes o fazem de maneira errada, o que gera frustração em grande parte da população que, ao não conseguir aprender a língua inglesa, acha que a culpa é sua e acaba criando traumas e tabus com relação à aprendizagem do idioma. No entanto, a culpa é da falta de preparo por parte dos professores”, evidencia.

Nível do domínio pleno do inglês
Muitas pessoas e, portanto, muitos professores, acham que sabem mais inglês do que realmente sabem. Em geral, as pessoas costumam classificar seu nível de inglês como sendo melhor do que realmente é, o que as faz ter uma falsa percepção da realidade do domínio do inglês. Portanto, um professor de inglês mediano não tem condições de trabalhar numa empresa multinacional onde seja exigido pleno domínio da língua inglesa. No entanto, para morar fora do país, ter inglês de nível mediano basta, num primeiro momento. “O inglês mediano irá permitir que uma pessoa, morando fora do país, possa se comunicar num nível mínimo necessário para sobreviver e ter as suas necessidades atendidas”, afirma o professor.

Uso da tecnologia para aulas online
Assim como não estão preparados para trabalhar em uma empresa multinacional, os professores de inglês também não estão preparados para dar aulas remotas pelas várias plataformas online, avalia Renato Baggio.

De acordo com ele, vários professores, inclusive, apresentaram bastante resistência em relação à adoção das aulas no modelo online por conta da pandemia do COVID-19. “Muitos professores estão dando aulas online através das mais variadas plataformas, no entanto, em um nível de qualidade ainda inferior do que as aulas que já ministravam presencialmente. Sem um preparo adequado, tanto com relação à metodologia utilizada para o ensino da língua inglesa, quanto ao preparo para o uso das ferramentas tecnológicas, os professores comprometem seriamente a qualidade da aprendizagem por parte dos alunos, contribuindo para o aumento no analfabetismo funcional e tecnológico num futuro próximo”, lamenta.

Busca por aprimoramento
Renato Baggio garante que, atualmente, existem vários cursos e várias plataformas que permitem ao professor de inglês oportunidades para aprimorar seus conhecimentos. Porém, o que também existe, em sua opinião, é uma proliferação de cursos de inglês que oferecem “milagres” mas que na realidade não apresentam resultados de fato. “Esses cursos apenas se valem da dor que os professores e as pessoas em geral sentem por não dominar a língua inglesa, para poder vender mais e ganhar mais dinheiro. Eles não estão preocupados com a aprendizagem por parte dos seus alunos”, enfatiza.

No entanto, existem, também, cursos sérios e plataformas sérias que oferecem conteúdo relevante. Cabe aos professores buscar e optar por esses cursos. Outra possibilidade sugerida pelo professor, ainda que seja menos procurada por questões financeiras e da própria pandemia, é a busca de cursos no exterior. “Pessoalmente, porém, não acredito que haja um grande movimento de busca por aprimoramento no inglês por parte dos professores. Isso porque, conforme dito anteriormente, os professores, em parte, estão acomodados e não há uma cobrança por parte das instituições para que se aprimorem. Como a maior parte da população brasileira não domina o inglês, não existem muitas pessoas capazes de avaliar o nível de inglês dos professores, bem como a qualidade de suas aulas. Os poucos professores que conheço que buscam se aprimorar, o fazem por conta própria, através de aplicativos de ensino de língua inglesa ou de cursos em escolas de idiomas”, ilustra.

O que o mercado de trabalho espera do professor de inglês
Prestes a passar por uma supervalorização no mercado brasileiro, a profissão de professor de inglês torna-se a cada dia mais atrativa, pois, apesar de sermos um país de proporções continentais, temos um percentual quase insignificante de pessoas fluentes no idioma.

Além disso, motivado em especial pelas escolas do setor privado, existe uma tendência crescente do bilinguismo na educação do Brasil, destaca Baggio. “Outro fator que irá valorizar muito o trabalho do professor de inglês é o número crescente de trabalhos no formato home office, que amplia as oportunidades de se conseguir um emprego fora do Brasil, sem que o profissional necessite mudar para aquele país. Falar inglês é premissa básica para se conseguir uma oportunidade dessas”, reforça e finaliza o professor da Merlin English.

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